Lixomania


Feliz dia dos professores
outubro 15, 2014, 4:11 pm
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Tava aqui tentando pensar em qual é a professora de que me lembro há mais tempo. Quando criança mudei bastante de escola e, consequentemente, de professores. Para piorar, sou o rei do esquecimento geral de todas as coisas (é bem comum na minha vida alguém me contar “daquele dia super legal em que você levou todos nós para tal lugar e que você fez aquela coisa super inusitada e engraçada, foi muito divertido” e eu não ter a menor noção do que as pessoas estão falando – mesmo sendo situações de plena sobriedade). Ainda assim consegui definir uma como sendo a primeira que lembrar bem.

Para a minha infelicidade, a professora mais antiga cujo rosto consegui lembrar (só o rosto, de nomes eu já desisti… não lembro nem do nome dos professores que me deram aulas no infame curso de comissários de 2007) foi minha professora de Português da 3a série. “Infelizmente” porque este foi um ano de grandes traumas: foi quando fui parar na Escola de Hábitos Nazistas, foi quando passei a ser um péssimo aluno, foi quando me senti extremamente descriminado por não ter tanto dinheiro quanto um monte de gente pela primeira vez, e, enfim: quando todos os meus traumas de infância começaram a formar meus gastos potenciais com terapia. Ela tinha uma cara muito carrancuda, muito mesmo. Gosto de pensar nela como “a cara do Mun-Rá”, mas isto seria uma sacanagem tremenda com outras várias professoras que tive em anos seguintes, uma vez que várias fizeram o que puderam para parecer o Mun-Rá (uma delas parecia o Mun-Rá, mas tinha a voz do Mickey Mouse… esta foi só no 2o colegial, dava aulas de redação).

A professora de português Mun-Rá I (leia o “I” como “primeira”) foi a autora da minha primeira nota vermelha na vida. Acho que foi um 3,5 em um ditado. Cheguei em casa chorando para minha mãe, com muita vergonha e achando que minha vida estava acabada para sempre. Mamãe foi extremamente compreensiva então talvez não tenha sido o 3,5 em si o que abriu a porta para as diversas notas vermelhas que vieram ao longo da vida, mas sim a compreensão inesperada que fez o episódio parecer menos horrível. Claro que mamãe não compreendeu tão bem quando menos de um mês depois eu tinha outra nota vermelha para mostrá-la. Como mamãe está por aí até hoje, eu prefiro culpar a dona Mun-Rá I por todos os meus fracassos escolares: do ditado da 3a série (o paciente zero) ao meu desempenho pífio e vergonhoso na Fuvest. Este 3,5 mudou minha vida e destruiu o meu caráter. Tudo culpa da Mun-Rá I. Claro. Jamais pelo fato de que, por exemplo, eu não acentuava nenhuma palavra que escrevia até o 1o colegial.

Fica aqui a minha pequena homenagem (trágica) à Mun-Rá I, às Mun-Rás subsequentes, às não Mun-Rás que me ensinaram coisas tão inúteis mas que estão na minha cabeça gravadas até hoje. Aos professores que me ensinaram coisas de maneiras que realmente acrescentaram à minha vida e me fizeram pensar como penso hoje, como os de história e sociologia que tive no colegial. A professores que ensinaram coisas que não tinham nenhuma utilidade na minha vida mas que adorei aprender (como semiótica e economia na faculdade, como meteorologia e princípios de aerodinâmica no curso de comissários). Aos vários professores de música que passaram na minha vida. E para aqueles que nunca nem foram meus professores, mas que são meus amigos e se dedicam a esta profissão tão legal, tão importante e que eu invejo um bocado quem tem a capacidade de exercê-la (sempre declarei a todos que desisti de ser musico porque me considero incapaz de organizar uma aula sobre qualquer coisa).




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