Lixomania


Carma ruim.
junho 25, 2014, 2:21 pm
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Por outro lado, dando sequência ao meu post anterior, teve aquela lendária vez que eu quebrei o pé saindo do trabalho. Torci, não quebrei. Mas torci o suficiente para que, no dia seguinte, eu não conseguisse nem encostar meu pé no chão. Aí liguei para a então chefa e disse que precisava ir ao hospital. Ok. No hospital, botaram a tala, engessaram e me deram uma semana de gancho.

Vejam que, na época, eu morava nas roças de Carapicuíba. Morava com meu pai e minha mãe: ambos então integrantes das forças de trabalho brasileiras em funções diferentes de “minhas babás”. Ir para a cidade grande era de carro ou de carro. Ou você pegava um ônibus até a estrada, outro ônibus até a cidade e aí mais um ônibus até onde eu trabalhava (e isso não é uma piada: a logística era de três ônibus). Some aí fazer isso de muletas, com uma perna só. Depois faz tudo de novo para voltar. Ou, ainda, pode-se pagar um bilhão de reais em taxi intermunicipal, claro. Liguei para a então chefa e disse isso aí, que tinha uma tala de uma semana em meu pé esquerdo, aquele que a gente deve usar para regular a embreagem do carro e que, em algum lugar do manual do proprietário, deve especificar que não se faz isso com uma tala de gesso na perna e calcanhar. E que, por causa disso tudo, eu achava que não conseguiria ir para o trabalho por uma semana.

Eu nem vinha conduzindo nenhum projeto ou fazendo falta por aqueles tempos, eu estava com depressão e a nossa relação não era das melhores… ela perguntou se não tinha como eu dar um jeito, eu expliquei que não (como explicado anteriormente, eu não tinha babás à disposição). E ela disse aquilo lá que eu nunca vou esquecer:

– Acho que você tinha que dar um jeito… entendo como uma questão de postura.

(Não lembro se foi exatamente assim… mas eu lembro bem disso aí: ela questionou a minha postura profissional e essa palavra, “postura”, ela usou).

Fiquei muito puto. Muito mesmo. Encurtando a história, eu respondi firmemente que voltaria dali a uma semana e desliguei quase na cara dela. Na semana seguinte, a primeira coisa que fiz foi dizer que queria falar com ela. Quando ela sentou para falar comigo, dei o atestado médico na mão dela, disse que nunca em nenhum lugar que já tinha trabalhado antes eu tinha sido tão ofendido por alguém e que queria minha demissão. Ela agradeceu a minha sinceridade (???) e fomos cada um para um canto. Eu poderia dizer que ela fez cara de bunda, mas isso eu acho que ela já tinha, não tenho certeza. Não rolou aviso prévio, evidentemente.

Sei lá se isso marcou tanto a vida dela quanto marcou a minha. Marcou muito. Nunca tinha saído de um emprego brigado com alguém e acho que não imaginava isso acontecendo na minha vida. Eu ainda acho que estava com a razão: nada do que eu tivesse feito (que basicamente foi não corresponder o que ela esperava de mim na época como profissional) justificava ela ter falado assim comigo e tratado a questão desse jeito. Eu apenas me defendi e ainda fui legal de não ter procurado um jeito de por isso na justiça… ainda com esta convicção de que eu não estava errado, eu me sinto péssimo por carregar isso até hoje, no meio das duas ou três coisas ruins que fiz ou me aconteceram e que parecem me incomodar para sempre. Sei lá se pra ela isso foi tão pesado quanto foi para mim. Espero que não: eu não desejo nada de bom para ela, mas também não ganho nada desejando algo de ruim para ela. Como disse, foi cada um para o seu canto.



Pareidolia
junho 11, 2014, 12:43 pm
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Quem sabia das coisas era a Eulália. Chamavam ela de Lalá também, se eu não estiver enganado. Foi uma das primeiras chefes que eu tive na vida e uma das poucas representantes do anti coxinhismo corporativo com quem cruzei na minha vida profissional… quando eu trabalhei naquela instituição financeira que não era a vermelha, era a azul…

Me contaram que a Gisele Bündschen faz comerciais para a C&A até hoje por gratidão. Não sei se é verdade, mas já ouvi esta história algumas vezes. Gratidão porque a C&A teria sido a primeira marca a investir nela como modelo, quando ela ainda achava que era magrela porque passava fome, e não porque porque simplesmente era uma pessoa magrela. Aí ela ficou famosa, rica, foi morar em Nova York, namorou o Leonardo DiCaprio e resolveram que, para ela, magrela significava gostosa (não que eu não ache, meu ponto aqui não é este!). Então, em gratidão à C&A, que a tornou rica e gostosa, hoje ela trabalha para os caras por um cachê reduzido.

Contei essa historinha toda para fazer a seguinte pergunta: para que caras?

Não sei se o cara que deu a oportunidade para ela trabalha na C&A até hoje. Vamos assumir que não, porque isso é muito improvável. E eu entenderia uma gratidão a um cara que trabalha lá e deu a oportunidade a ela mas… a uma empresa?

E aí, o que a Eulália me disse uma vez, não lembro por que motivo exatamente mas com certeza para aliviar o meu remorso de estar fazendo algo que “prejudicaria” o sr. dono da grande corporação internacional de cartões de crédito com cor azul, a frase: “empresa não tem coração, tem CNPJ”.

É verdade. Em uma empresa muito grande é assim. Não é como trabalhar na padoca do seu Zé… porque o seu Zé é gente boa, te deixa levar uma pizza congelada para casa de vez em quando. No outro caso, o dessas empresas estilo grande corporação internacional de cartões de crédito com cor azul, é pura pareidolia da nossa parte. Não é real. E eu sigo lembrando da Lalá há todos esses 14 anos que se passaram.




Nada Profissional

não contém glútem

Blowg

não contém glútem

I misbehave

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Vida e Obra de Daniell Rezende

"Thou shalt not bore." - Billy Wilder

tantos clichês

não contém glútem