Lixomania


Matadouro
agosto 29, 2013, 11:20 am
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Porque eu to nessa fase ainda de gostar muito de receber as pessoas na minha nova casa. E como pai orgulhoso, eu sempre levo todo mundo pra dar aquela voltinha. Ou não é como pai orgulhoso: o mais provável é que eu faça isso porque sempre foi o que fizeram comigo quando fui conhecer a casa de alguém e isto ficou cristalizado como um sinal mínimo de educação. Enfim! O caso é que, toda vez que chego para mostrar meu quarto, ouço: “… e este é o matadouro”.

Nunca é um homem quem diz isto, é sempre uma mulher.

Só pra deixar claro que o pervertido não sou eu: continuo dando a resposta “sim, este é o meu quarto”.



Fora Roseana Sarney!
agosto 22, 2013, 5:16 pm
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O ano é 2013 e o Brasil está tomado por manifestações que começaram com um aumento de 20 centavos na passagem de ônibus. Eu não poderia estar mais interessado no assunto. Eu não poderia estar fazendo menos por alguma coisa. Mas muita gente estava, o que inclui este cidadão que eu conhecia há apenas um dia e que trabalharia um total de quatro (seguidos) para, depois, dificilmente nos encontrarmos novamente. O cara era, basicamente, o Samuel L. Jackson do Maranhão. Porque ele era a cara do Samuel L. Jackson e porque ele era do Maranhão. E, aí, foi nesse segundo dia desde que eu o conheci que ele aparece para trabalhar e me diz:

“- O governo bloqueou minha conta do Facebook”

Ele me explicou uma intrincada história em que ele teria abusado de posts no facebook que seriam contrários a Roseana Sarney, o que teria colocado ele em evidência suficiente para ter sido rastreado pela ABIN que, por sua vez, decidiu calar suas denúncias super originais (que, pelo que lembro, era algo sobre roubalheira, descaso com o povo, obras super faturada e todo esse tipo de coisa que nunca foi dita sobre um Sarney antes, então quem dissesse estaria evidentemente causando um grande escândalo). Eu tava frente a frente com o Edward Snowden brasileiro.

Uma cliente ali do nosso lado ouviu a conversa e disse fofa e simpaticamente:

“- Uma vez isso aconteceu comigo porque eu esqueci ele aberto em um computador que não o meu. É só fazer isso, assim e assado.”

* Samuel L. Jackson com cara de quem vai tomar um banho de mangueira porque seu amigo matou sem querer alguém no banco de trás do carro. *

Ele pega seu iPhone. Primeiro faz isso. Depois assim e, por fim, ele faz assado. Conta desbloqueada!

E os analistas da ABIN não poderiam ter feito menos.



Enquanto isso, na classe média paulistana…
agosto 14, 2013, 2:43 pm
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peitos
matéria completa aqui

Eu sempre deixei clara minha opinião: não precisa ser grande, não precisa ser pequeno. Tem que ser bonito, tem que ornar, tem que estar de acordo com o layout, o conjunto da obra. O que provavelmente quer dizer que estou no meio do centro da classe média, é claro.



Jojo, go home!
agosto 12, 2013, 9:53 am
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Eu sei quando não quero trabalhar porque meu corpo me diz na hora que estou me arrumando. Se arrumar para o trabalho é bem automático, aquele trabalho todo de ficar chique. Calça bonita, paletó bonito, cabelo bem cortado, barba bem feita, sapato brilhando e tasca o nó windsor na gravata! E, aí, o aviso vem quando, no mesmo automatismo, as meias de lã brancas (eventualmente com algum logotipo de uma marca esportiva que me lembra dos esportes que não venho praticando).



As meninas do Leblon não olham mais pra mim
agosto 6, 2013, 12:10 pm
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Mandei fazer óculos novos. Para longe, para perto. Para ver mulher gostosa (lá na lua), para ver desgraça incendiária ao molho de enxofre (aqui pertinho). Aqui pertinho? Logo que saí da ótica e voltava a pé pela calçada, decidi estrear os óculos. E como o Super Homem ao receber seu banho de sol, olho para os carros que vinham no sentido contrário da rua e descubro que tenho um novo super poder: “CONSIGO LER O NOME DOS ÔNIBUS”.

Mas não demorou para eu dar um tropeço ridículo na calçada:

” – Como assim isto daqui não é um degrau?”

A visão periférica mandou as pernas se prepararem para um degrau, o chão estava mais próximo de mim. Mas o degrau não estava lá e é assim que eu tropeço. Olho para baixo e percebo mais um novo super poder: “MINHAS PERNAS ENCURTARAM!”.

Depois de andar mais uns 50 metros com esta sensação sensação horrorosa, a de que eu tinha encolhido de repente, por conta do chão que parece muito mais próximo quando estou de óculos, desisto dos óculos e decido que ele só será usado para ler e, claro, para pegar ônibus.



Enquanto isso, no cemitério:
agosto 3, 2013, 10:56 am
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Eu fiquei aqui pensando nisso: “Júri condena 25 PMs a 624 anos de prisão por mortes no Carandiru“.

Aí você chama lá o preto velho como testemunha de acusação. Ele, por sua vez, incorpora Chico Xavier. Como testemunha de acusação. E aí aquela galera toda (o preto velho e o Chico Xavier) falam que, “sim, o grande lance é o espiritismo, então quando esses 25 PMs morrerem, depois de, sei lá, 40 anos de pena cumpridas, a gente espera ele reencarnar e ele continua cumprindo a pena dele”

Não vou nem tecer considerações sobre a outra possibilidade: a de que o cara fica preso por 624 anos mesmo. Aí, daqui 624 anos, alguém entra lá para remover os ossinhos e os joga ali do lado de fora da prisão: “pronto, rapaz, agora você está livre e regenerado para reintegrar a sociedade!”



Isso é tremendo!
agosto 1, 2013, 4:13 pm
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Eu comecei a dizer uma frase para o oftalmologista e o meio e o final dela eram assim:

“- … e a outra coisa é que a minha pálpebra direita às vezes fica tremendo sem razão aparente, acompanhada de uma ligeira dor de cabeça.”

Aí ele fez um monte de exames. Leia aquilo ali no quadro e se você não ler é porque você é cego. Eu adoro isto: o consultório do oftalmologista é um lugar onde todo o Brasil considera-se a todos como alfabetizados para o benefício da cegueira. Continuando: fica melhor assim ou desse jeito. Desse jeito! Diagnóstico! E a partir daí ele preferiu se ater somente à primeira parte da frase que começou tudo. Basicamente a miopia que existia virou hipermetropia. Eu continuo não conseguindo ver o mundo, só mudou o motivo.

Perguntei da tremedeira na pálpebra e ele disse que isto era stress. Fiquei pensando em que tipo de defesa do organismo seria esta. Existe aquela teoria (ilustrada por aquele filme) de que o bater de asas de uma borboleta pode gerar um cadenciamento de eventos que podem levar a, sei lá, a Terceira Guerra Mundial. Então vai ver que meu organismo pensou assim: “eu começo a tremer esta pálpebra direita de vez em quando, isto vai gerar uma pequena movimentação de ar que causará um tsunami na Tailândia e, este tsunami na Tailândia, fará brotar 10 milhões de dólares de baixo do meu colchão”.

Motivos para stress? Não, nenhum… do começo do ano para cá temos apenas um apartamento comprado que raspou todo e qualquer dinheiro que eu tinha, a reforma do mesmo apartamento, fim de um longo namoro e, mais recentemente, o anúncio de demissão em massa na firma. Nada disso me estressa muito não! Stress é, na verdade, passar dia após dia eliminando toda a gelatina que encontro no caminho e isso nunca acabar!