Lixomania


O bom frilho à casa torna
outubro 28, 2012, 11:59 am
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O bom frilho à casa torna. Ou é o que dizem, eu nunca dizia isso até ontem. A vizinhança mudou de 10 anos para cá, tudo está melhor, mais moderno, mais desenvolvido. Os lugares se desenvolvem e descaracterizam a nostalgia. A video locadora, a primeira do bairro, pioneira de tudo (a única com filmes europeus, asiáticos, iranianos e de outros povos que gostam de contar histórias sobre crianças que atravessam uma cidade inteira à pé só por atravessar a cidade inteira a pé e cuja moral da história é: “crianças podem atravessar cidades inteiras a pé”) viu a avenida à sua frente ficar limpa, ganhar árvores e radares para controlar os ânimos da vizinhança. Tudo perfeito, exceto por não haver mais uma vídeo locadora ali (só um imóvel fechado cujo letreiro escrito “Century Video” só eu ainda vejo naquele lugar).

Eu nunca fui muito apegado à minha infância. Conheço gente que lembra da infância com o maior carinho do mundo, com saudade e com uma inconformidade com a vida adulta. Quando eu era criança, pensava que quando crescesse gostaria de ser adulto. Ter o meu próprio dinheiro, não ter que pedi-lo para meus pais dizendo que era para comprar material de escola mas, na verdade, querendo deixar mais espessa aquela camada de revistas pornográficas entre meu colchão e minha cama (ah, como era difícil ser criança antes da internet…). Mas o caso é que, apesar de nunca ter sido uma criança muito convicta do exercício da infância, ainda assim eu gostaria de conseguir vê-la bem do jeito que ela era. Hoje, passando por ali, só deu pra ver uma lembrança distorcida.



Praticando o peristaltismo.
outubro 9, 2012, 8:00 pm
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As pessoas são assim, né? Você trabalha o dia inteiro. Você viaja o dia inteiro. E eu faço as duas coisas. Ao mesmo tempo. Daí, quando eu termino de fazer estas duas coisas ao mesmo tempo (isto sem considerar as outras para as quais eu nem me importo mais de fazer ao mesmo tempo, como respirar, bater o coração, praticar o peristaltismo), o mundo te confirma que Celso Russomanno não está no segundo turno das eleições paulistanas. Mesmo que desfalcado de sua presença nas urnas. Hooray! Daí estas outras pessoas que praticaram mais o peristaltismo resolvem colocar o fim desta ação no mundo, dizendo que preferiam Celso Russomanno prefeito a José Serra. Você responde com “você acha mesmo que alguém que se fez na vida e na política fazendo sensacionalismo em cima da morte da própria esposa, só para começar, é alguém ético o bastante para governar a sua cidade”. Cri-cri-cri, faz a cara de nossos jovens grilos. Eu explico do que estou falando. E eles rebatem “ah, isso não é sensacionalismo, isto é falar sobre as deficiências do sistema de saúde”. Respondi fazendo a minha famosa cara de peristaltismo.



Involuindo
outubro 7, 2012, 12:51 pm
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Envelhecer não é sobre amadurecer de verdade. A gente não é deixar de se torturar com as questões existenciais e conceituais da adolescência. A única coisa que a gente faz é desistir de falar delas porque não queremos mais parecer adolescentes. Mas, no fundo, ta tudo lá intacto, do mesmo jeito.

(Eu me deprimo tanto quando penso nisso).



Se eu sinto saudade de escrever?
outubro 4, 2012, 1:07 am
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Se eu sinto saudade de escrever? Sinto sim! Muita saudade. E ultimamente parece que mais ainda. Vira e mexe eu me imagino assim, escrevendo. Como quem está escrevendo um tipo de redenção para si próprio.

O problema é que acho que eu estava sempre ofendendo alguém. Uma vez por mês eu ofendia alguém e aí tinha toda a discussão do “por-que-você-falou-aquilo-de-mim” com pitadas de “você-não-é-mais-meu-amigo” e requintes de “vou-juntar-minhas-coisas-e-voltar-para-a-casa-da-mamãe”. Drama na internet. Aí uma vez eu tentei não falar mal de ninguém, só usar alguém. Usar alguém para ilustrar que eu era louco. E aí veio o “por-que-você-disse-que-eu-sou-louca”. Ela não entendeu nada e de repente eu não era mais louco sozinho: nós dois éramos loucos. Drama no manicômio.

Era tanto drama que a vida ficava interessante… só que eu nunca escrevi porque achava a vida interessante. Eu gostava de pensar, na verdade, que se existia alguma arte nisso, ela era apenas a de fazer a minha vida estupidamente chata não parecer muito chata. Juro, era só isso. Eu era só um menino mimado vivendo uma vida ordinária.

Vai ver então é por isso que eu penso que eu deveria voltar a escrever: a vida pode estar lentamente voltando aos altos níveis de chatice de outrora. Drama na crise dos trinta.




Nada Profissional

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Blowg

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I misbehave

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Vida e Obra de Daniell Rezende

"Thou shalt not bore." - Billy Wilder

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