Lixomania


A enésima vez que quebrei minha perna
março 16, 2011, 8:29 pm
Filed under: Uncategorized

A primeira vez que quebrei meu pé*, eu passava por um momento difícil. Tinha conseguido um emprego com que sempre sonhara, mas tinha percebido que algo estava errado. No entando não sabia o que era esse algo: se tinha me enganado escolhendo o tipo de trabalho errado no lugar certo ou se escolhendo o tipo de trabalho certo no lugar errado. Na verdade, eu não entendia essas duas coisas: uma grande depressão me tomou, tomava remédio e fazia piada. No entanto não era a minha intenção fazer nada precipitado com relação à minha vida profissional, queria voltar a ter fé na vida e fazer aquilo dar certo, prosperar naquilo que entendia ser o que sempre quis pra mim. Não foi possível porque o dia que liguei para minha chefe dizendo que tinha me acidentado e que não teria condições de trabalhar por uma semana, já que morava longe e não tinha como dirigir, ela disse que não achava aquilo certo, que eu tinha que dar algum jeito de ir ao trabalho. E dessas aspas acho que vou lembrar pro resto da minha vida: “é uma questão de conduta”. Não sei o que significava conduta pra ela, sei que alguns dias depois, quando sentei com ela a uma mesa e disse que estava me demitindo porque nunca tinha me sentido tão ofendido em um trabalho, ela me explicou de que conduta ela estava falando, mas eu fiz questão de não guardar a informação.

Já a segunda vez que quebrei meu pé, eu… continuava passando por um momento difícil, apesar do momento ter mudado. Tinha conseguido um emprego com o qual nunca sonhara, mas tinha percebido que precisava dele mesmo que algo estivesse errado. Eu sabia o que era esse algo: o emprego errado no lugar errado, mas não foi engano nenhum. Ou, se for para dizer que foi sim um engano, foi então o único engano que tive para me apegar: não sabia o que fazer da vida profissionalmente ou pessoalmente. Passei um ano inteiro no maior limbo da minha vida. Não estava deprimido enquanto doença mas talvez estivesse enquanto pessoa. Simplesmente me conformei que não precisava esperar nada da minha vida. Quando lembro de 2006, eu penso que foi um ano em que absolutamente nada aconteceu comigo. Nem de bom e nem de ruim. Quando liguei para minha chefe dizendo que tinha me acidentado e que não teria condições de trabalhar por um mês, já que morava longe e não tinha como dirigir, ela não me julgou de forma alguma, mas disse que não podia ficar sem mim por um mês. Não era a minha intenção fazer nada precipitado com relação à minha vida profissional, queria voltar a ter fé na vida e fazer aquilo dar certo. E talvez essa tenha sido a evolução entre estes dois parágrafos: a oportunidade de inverter a ordem das últimas duas frases. A minha conduta foi negociar e chegamos ao acordo de que eu trabalharia três vezes por semana e os outros dois dias poderia ficar em casa. Mais tarde eu sairia deste emprego por algo que chamaria de “causas naturais”, sem mágoas. As aspas que guardei foi da minha chefe me elogiando por ter sido um bom profissional e me desejando sorte na nova carreira profissional que estava tentando.

Por fim, a terceira vez que quebrei meu pé… não acho que é um momento difícil. Tenho um emprego com o qual sonhara desde que mudei de carreira profissional. Acho que o melhor emprego que existe na minha área. Ele só exige de mim um outro estilo de vida que foi adequado para mim nos últimos 3 anos, mas não é mais. Agora não é o momento que mudou, é a vida. Não existe qualquer tipo de depressão. Talvez ansiedade, talvez medo. Existe até otimismo em certos momentos. Eu não sei por que é que toda vez que preciso dar um passo diferente na minha profissão, a vida insiste que devo dar o primeiro passo de muletas. As pessoas espiritualizadas e místicas gostam de dizer que há significado nisso e que nada é por acaso. Minha terapeuta, quando eu tinha uma (isso há um parágrafo atrás) deu a entender que meu subconsciente é que faz isso comigo. Forças místicas, subconsciente ou acaso, eu não tenho idéia do significado disso desta vez, se tem alguma coisa para eu aprender. Desta vez não há acordo: na minha profissão atual, não se trabalha MESMO sem uma perna: me mandaram passar 3 meses em casa sem aspas para eu pensar.

* – Na verdade, a primeira vez que quebrei o pé, ele não foi efetivamente quebrado. Foi uma luxação.

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2 Comentários so far
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E nessa terceira vez em que você quebrou a perna você vai receber minha visita em sua residência. Acho isso muito relevante.

Amo você!

Comentário por Chu

Uau. Belo texto. Tomara que vc tenha uma ótima mudança, mas que, pra a mudança ser ótima o acidente não precise ser cada vez mais grave né?

=)

Comentário por *paula




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