Lixomania


Pensando Chico Xavier
março 28, 2011, 10:28 pm
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Claro que eu gostaria que morrendo eu fosse para algum lugar. Todo mundo quer. Não estou falando de acreditar que vai, estou falando de querer. A ironia é que nada pode ser tão este mundo, esta vida ou este qualquer coisa do que querer isso já que, afinal, sobrevivência, é um instinto, não é algo racional. Todo animal tem instinto de sobrevivência. E o suicida não quer morrer, ele só quer matar outra coisa que está ali dentro dele. Aí a continuidade foi aquela coisa que a gente inventou porque a idéia de morrer causa tanta repulsa que a gente prefere ignorar qualquer racionalidade a fim de conviver com a idéia de que a gente é perecível (ainda que alguns digam conviver). Acho que a partir disso vieram as religiões: umas falam em céu e inferno, outras falam em planos e em cumprir missões aqui. Tudo para dar sentido ao que a gente está fazendo aqui, garantir que isto não é à toa, e que é um trabalho para a gente, afinal, não morrer de verdade. Só de brincadeirinha. Pra onde a gente vai depois? Sei lá. A gente fica pensando que se for uma boa pessoa, vai para um lugar melhor, mas e se aqui já for o lugar melhor e a gente só vai para o lugar melhor por um tempo determinado? O mundo é cheio de coisas horrendas e bla bla bla? É, mas isso não quer dizer que ele não seja o lugar melhor, é algo relativo. (Essa possibilidade ninguém cogita também porque aí, apesar da gente não morrer quando morre, torna a vida e a morte sem sentido do mesmo jeito).

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Fisioterapia e mais dúvidas sobre o número 3
março 25, 2011, 10:30 am
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Na primeira vez que fiz fisioterapia, me apaixonei platonicamente pela fisioterapeuta. Carismática, linda e noiva. “Agora vamos alongar o seu antebraço”: meu coração se alongava. “Este equipamento irá estimular eletricamente este grupo muscular para fortalecê-lo”: meu coração se estimulava e fortalecia. “Segure esta bolinha de borracha com a mão e aperte-a com força”: meu coração se contraía inteiro, como que apertando uma bolinha. Claro que não deu em nada, não se conquista uma mulher apertando bolinhas de borracha na sua frente.

Na segunda vez que fiz fisioterapia foi numa clínica com várias fisioterapeutas. Certo dia eu estava com o mesmo aparelho de estimulação elétrica, deitado em uma maca fechada com cortinas, quando ouvi um burburinho e umas risadinhas. De repente entra uma fisioterapeuta toda risonha dizendo que tinha uma outra fisioterapeuta que queria me conhecer, se para mim tinha algum problema. Não, problema nenhum. Sai a fisioterapeuta risonha, entra a fisioterapeuta querendo enterrar a própria cabeça no chão. Perguntou sobre a minha lesão e minha reuperação. Expliquei. Conversamos por mais 5 minutos sobre aleatoriedades e ela foi embora. Claro que não deu em nada, não se conquista conquista um homem perguntando sobre sua lesão (especialmente se ela foi algo tão idiota quanto tropeçar em um degrau saindo do caixa eletrônico).

Dentro de mais alguns instantes, estarei seguindo para a terceira fisioterapia da minha vida. Não estou procurando por romance, evidentemente. Desta vez, para variar um pouco, eu gostaria de simplesmente recuperar a minha perna e voltar a caminhar normalmente. Minha idéia é voltar pra cá e dizer: “Claro que a fisioterapia deu em algo, não se conquista o mundo de muletas”, ou coisa assim



A enésima vez que quebrei minha perna
março 16, 2011, 8:29 pm
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A primeira vez que quebrei meu pé*, eu passava por um momento difícil. Tinha conseguido um emprego com que sempre sonhara, mas tinha percebido que algo estava errado. No entando não sabia o que era esse algo: se tinha me enganado escolhendo o tipo de trabalho errado no lugar certo ou se escolhendo o tipo de trabalho certo no lugar errado. Na verdade, eu não entendia essas duas coisas: uma grande depressão me tomou, tomava remédio e fazia piada. No entanto não era a minha intenção fazer nada precipitado com relação à minha vida profissional, queria voltar a ter fé na vida e fazer aquilo dar certo, prosperar naquilo que entendia ser o que sempre quis pra mim. Não foi possível porque o dia que liguei para minha chefe dizendo que tinha me acidentado e que não teria condições de trabalhar por uma semana, já que morava longe e não tinha como dirigir, ela disse que não achava aquilo certo, que eu tinha que dar algum jeito de ir ao trabalho. E dessas aspas acho que vou lembrar pro resto da minha vida: “é uma questão de conduta”. Não sei o que significava conduta pra ela, sei que alguns dias depois, quando sentei com ela a uma mesa e disse que estava me demitindo porque nunca tinha me sentido tão ofendido em um trabalho, ela me explicou de que conduta ela estava falando, mas eu fiz questão de não guardar a informação.

Já a segunda vez que quebrei meu pé, eu… continuava passando por um momento difícil, apesar do momento ter mudado. Tinha conseguido um emprego com o qual nunca sonhara, mas tinha percebido que precisava dele mesmo que algo estivesse errado. Eu sabia o que era esse algo: o emprego errado no lugar errado, mas não foi engano nenhum. Ou, se for para dizer que foi sim um engano, foi então o único engano que tive para me apegar: não sabia o que fazer da vida profissionalmente ou pessoalmente. Passei um ano inteiro no maior limbo da minha vida. Não estava deprimido enquanto doença mas talvez estivesse enquanto pessoa. Simplesmente me conformei que não precisava esperar nada da minha vida. Quando lembro de 2006, eu penso que foi um ano em que absolutamente nada aconteceu comigo. Nem de bom e nem de ruim. Quando liguei para minha chefe dizendo que tinha me acidentado e que não teria condições de trabalhar por um mês, já que morava longe e não tinha como dirigir, ela não me julgou de forma alguma, mas disse que não podia ficar sem mim por um mês. Não era a minha intenção fazer nada precipitado com relação à minha vida profissional, queria voltar a ter fé na vida e fazer aquilo dar certo. E talvez essa tenha sido a evolução entre estes dois parágrafos: a oportunidade de inverter a ordem das últimas duas frases. A minha conduta foi negociar e chegamos ao acordo de que eu trabalharia três vezes por semana e os outros dois dias poderia ficar em casa. Mais tarde eu sairia deste emprego por algo que chamaria de “causas naturais”, sem mágoas. As aspas que guardei foi da minha chefe me elogiando por ter sido um bom profissional e me desejando sorte na nova carreira profissional que estava tentando.

Por fim, a terceira vez que quebrei meu pé… não acho que é um momento difícil. Tenho um emprego com o qual sonhara desde que mudei de carreira profissional. Acho que o melhor emprego que existe na minha área. Ele só exige de mim um outro estilo de vida que foi adequado para mim nos últimos 3 anos, mas não é mais. Agora não é o momento que mudou, é a vida. Não existe qualquer tipo de depressão. Talvez ansiedade, talvez medo. Existe até otimismo em certos momentos. Eu não sei por que é que toda vez que preciso dar um passo diferente na minha profissão, a vida insiste que devo dar o primeiro passo de muletas. As pessoas espiritualizadas e místicas gostam de dizer que há significado nisso e que nada é por acaso. Minha terapeuta, quando eu tinha uma (isso há um parágrafo atrás) deu a entender que meu subconsciente é que faz isso comigo. Forças místicas, subconsciente ou acaso, eu não tenho idéia do significado disso desta vez, se tem alguma coisa para eu aprender. Desta vez não há acordo: na minha profissão atual, não se trabalha MESMO sem uma perna: me mandaram passar 3 meses em casa sem aspas para eu pensar.

* – Na verdade, a primeira vez que quebrei o pé, ele não foi efetivamente quebrado. Foi uma luxação.



A nova maneira de ver o mundo
março 5, 2011, 10:36 am
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As pessoas pedem para que, enquanto me recupero de uma perna quebrada, eu volte a escrever neste blog. Talvez elas acreditem que neste período eu passe a ver o mundo de uma nova maneira. Talvez elas acreditem que se possa ver o mundo não com os olhos, mas com as pernas. E aí fica a pergunta: como é o mundo visto da perspectiva de não duas, mas de apenas uma perna? Não sei, mas se minha perna ver algo interessante, eu venho aqui para contar.




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