Lixomania


Nota de falecimento – pt 1
outubro 31, 2010, 5:13 pm
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Faleceu, aos 30 de outubro de 2010, Nero, o viking (à direita). Nascido por ninguém, foi abandonado e carente. Entregue à própria sorte acabou sorteado, ganhou família. Partiu, então, deixando família carente.

Deixa uma irmã que já vestia o luto (à esquerda). Deixa mãe e filho soluçando ao telefone. Deixa mais um monte de gente. Deixa seus singelos brinquedos: um pneu de moto e uma inchada.



Compareça às urnas, mas não me chame
outubro 26, 2010, 1:57 pm
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Não vejo a hora de passarem essas eleições. Tudo ficou tão chato, de repente. Eu gostava de eleições quando eu era criança. Em 86 tinha o SBT fazia pesquisa eleitoral nas ruas de São Paulo em cada bairro, perguntando às pessoas em quem elas votariam. No final uma tabelinha dizia os resultados: Paulo Maluf = X votos; Orestes Quércia = Y votos; Mario Covas = Z votos. E no final da tabelinha sempre tinha umas coisas do tipo: Jesus Cristo = N votos; eu mesmo = 1 voto. Depois tiveram as eleições presidenciais: Maluf de novo, Covas de novo, Brizola gritando SEU FILHOTE DA DITADURA e um Lula Lá que diziam que, se ganhasse, ia colocar uma família pobre dentro da minha casa para morar comigo. Um tal de Fernando Collor de Melo também, nunca vi mais gordo… quer dizer, magro, atlético, feito de cêra e goma de mascar. E de novo o espaço para a diversão: o Gabeira provando que pode se pronunciar apenas uma palavra no tempo em que antes outras pessoas usavam para pronunciar 5 (o que nos 15 segundos que ele e seu nanico Partido Verde era suficiente para 3 palavras: “salvem os bichos”) e um tal de Marronzinho que veio e foi sem deixar rastros, nos mesmos 15 segundos. Tudo isto sem contar o quase presidente Senor Abravanel, que, olha: ele ia ganhar sim! (E o ministro da fazenda viria diretamente do alto escalão das Casas Bahia… ou seria a Aracy de Almeida)

Já estas eleições tiveram, mal e porcamente, um Plinio bem divertido. No mais, tudo o que sobra é Dilma e Serra. E estaria tudo ok se fossem eles, já que eu posso optar por ignorar outdoors, folhetos e horário eleitora, mas eles tem os seus milhares de militantes, todos ignorantes, cada um à sua maneira, para fazer o mundo parecer um lugar escroto e aporrinhar a sua paciência. E todo mundo tem um monte de amigos militantes, né? Tem aquele papo que diz que política, religião e futebol não deveriam ser discutidos. Realmente as pessoas mais chatas do universo discutem isto. (Particularmente eu colocaria Legião Urbana, Raul Seixas e Los Hermanos na mesma faixa). E todo mundo discute da mesma maneira: meu candidato (time, messias, poeta incompreendido) é magnânimo e perfeito, o outro é um merda total e você aí é um merda total porque não gosta dele.

Aí começa aquela porra: na esfera mais ignorante, você tem que votar na Dilma porque ela teve câncer. Se não votar, você é um merda. Porque ela teve câncer. E no Serra, se vota? Vota sim: porque ele foi apedrejado. Pedrada da câncer? Sei lá, mas Jesus foi apedrejado há 2010 anos (e uns quebrados). Aí tem gente falando pra você votar no Serra e seguir os preceitos de Jesus. Daqui 2010 anos vai ter gente reclamando para votar no Serra, ao que me parece. Porque, quem não segue os apedrejados, é um merda. Será que antes de morrer, Cristo já não tinha um câncer e ninguém diagnosticou porque há 2010 anos a medicina não era a mesma, encheram o corpo dele de sanguesugas e elas não souberam identificar o tumor? Sei lá, o que importa é que você é um merda, ao que tudo indica.

Você aí também deve estar achando o Twitter uma merda. Deve estar achando o Facebook uma merda. Todo mundo tão engajado em TE desqualificar porque o SEU candidato não é qualificado. Todo mundo adorando a festa da democracia e a liberdade do povo desde que a sua liberdade seja a mesma dele. Sério, essas pessoas querem um mundo mais livre e tem esta postura tão facista quanto qualquer um dos grandes ditadores que condenariam se perguntados. Você não pode mais ser contra o aborto. Não pode mais ser a favor do aborto. O voto é individual. A democracia é a vontade da maioria expressa por unidades de opinião individual. Mas você é um merda se a sua opinião individual não for a dele, Dilmista, Serrista. Porque aí, você não estã pensando no outro, no bem da nação. Mas se democracia é um conjunto de expressões individuais em que vai prevalecer a vontade da maioria, eu devo é expressar o que é bom pra mim e depois torcer pra que isto seja a vontade da maioria. Não?

No fim das contas, acho que eu prefiro ainda discutir futebol e religião. O primeiro pelo menos é só entretenimento. Soa vazio de significado. Porque é um assunto cujo embasamento nunca é suficiente e futebol, por melhor que seja o time, é sempre imprevisível, tem todo ano e sempre tem mais gente se fodendo do que se dando bem. Religião é melhor ainda: no fundo todo mundo sabe que você ta crendo em algo que não tem o menor sentido. Porque você já pode ter visto Jesus Cristo, Buda, o caramunhão, etc, mas se você viu você nunca conseguiu mostrar ele pra ninguém. (Já Legião Urbana não tem problema porque, no fundo, todo mundo sabe mesmo que era uma merda).

Acho que política devia ser discutido como um grande tabu, como sexo mesmo. “Fulaninho só perdeu a virgindade aos 26 anos. Ele tinha vergonha de tirar a roupa na frente de mulheres porque ele tinha uma Dilma no pênis que precisou ser removida cirurgicamente”. Esse tipo de coisa.

Não votei no primeiro turno das eleições. Preferi sair da minha cidade e fazer sexo. Pode me pregar na cruz e me apedrejar, mas lembre-se que, se fizer isto, pode ter gente querendo votar em mim daqui 2010 anos.



O futuro a Deus pertence
outubro 22, 2010, 12:00 pm
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Aí eu continuei pensando: o petróleo é nosso!, já disse Getúlio Vargas (incluindo a exclamação). Depois, o Brasil é o país do futuro. Mas o futuro a Deus pertence. Então é daí que saiu esse papo de que Deus é brasileiro. Ou foi uma confusão: ele é só acionista da Petrobrás e ninguém entendeu isso.



Investindo no futuro
outubro 21, 2010, 4:35 pm
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Eu quis comprar ações da Petrobrás. Durante esta oferta pública extraordinária e recente. Não comprei. Perdi o prazo. Eu queria investir no futuro. O futuro do Brasil. O Brasil é o país do futuro e eu quis investir nisso, no futuro e no Brasil. E o petróleo, vocês sabe, é nosso. O Brasil é o país do futuro e o futuro é nosso, eu quis investir nisso. Eu quis comprar o futuro e não comprei porque perdi o prazo. Queria comprar ações e ser dono de uma parte disto. Do futuro. E do Brasil. Eu imaginei que se gastasse algum dinheiro, sei lá, uns R$ 10.000,00, em ações, eu seria dono de uma parte da Petrobrás. Imaginei minha aposentadoria: o futuro. Eu, já velhinho, mal humorado, praguejando e escarrando contra as crianças de hoje, que não são como as do meu tempo. No meu tempo as crianças já não tinham modos e nem respeitavam os mais velhos. A gente já jogava video game. Então eu praguejaria porque as crianças de hoje não são como no meu tempo, o que quer dizer que elas já não jogam mais video game. Mas eu ainda não sou velho então não sei se as crianças de quando eu vor velho já não estarão mais jogando video game. Na verdade a minha lógica não funciona porque as crianças de hoje ainda jogam video game. As crianças de hoje são como as crianças de ontem, mas eu não sei como serão as crianças de amanhã. E amanhã eu estarei velho: mal humorado, praguejando e escarrando contra as crianças de hoje (os adultos de amanhã?). Era este o futuro que eu estaria comprando e investindo, através da Petrobrás e do petróleo (que é nosso, do futuro, do Brasil e que tem uma parte representada pelas ações que não comprei porque perdi o prazo). Com R$ 10.000,00 eu talvez fosse dono de uma plataforma de petróleo no meio do mar, ao estilo Petrobrás. E no futuro eu reivindicaria a minha parte e moraria nela, a plataforma de petróleo no meio do mar. Não sei se tem crianças em uma plataforma de petróleo, nunca estive em uma. Perdi a chance de estar ao perder o prazo para investir nisso. Supondo que não tenha crianças, meu plano é perfeito: no futuro estarei mal humorado, praguejando e escarrando contra as crianças de hoje (o que farei mesmo elas jogando video game como as crianças do meu tempo) porque elas serão os adultos de amanhã (concursados ou prestadores de serviços em uma plataforma de petróleo no futuro que eu teria investido). Como eu perdi o prazo, tudo isto virou suposição e é por isso que eu só tenho uma meia dúzia de idéias que estou repetindo indefinidamente sobre este assunto. Ou seja: não é possível ir muito longe na hora de falar sobre o futuro que eu não investi.



Breve ensaio sobre a culpa
outubro 13, 2010, 12:13 pm
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Fui dormir na casa de mamãe. No dia seguinte, quando acordei, ela não estava. Tinha ido trabalhar. Já eu, estava de folga. Mamãe não tem folga, ela tem fim de semana. Existem dois tipos de profissionais: os que tem folga e os que tem fim de semana. Essa deve ser a maneira que encontrei de superar o maior medo das adolescências, que é o de crescer exatamente igual aos seus pais. Eu não, eu sou diferente: eu tenho folga, não fim de semana; eles tem fim de semana, não folga.

Mamãe foi trabalhar e deixou almoço pronto. Eu visito meus pais (e isto inclui dormir uma noite na casa deles) uma vez por mês. Às vezes duas. Fui o último filho a sair de casa, o que quer dizer que fui eu quem apunhalei covardemente os meus pais. Sair da casa dos pais pode ser uma corrida: o último que sobrar, terá que apunhalá-los covardemente.  Fui eu. Pro céu já não vou mais (nem quando meus filhos me apunhalarem).

Quando durmo na casa de mamãe, ela levanta do túmulo e volta a ser mãe. Não existe cicatriz de faca e camisa manchada de sangue. Mamãe também não anda com os braços para frente, olhar vago e murmura por miolos como um zumbi ordinário. O que ela faz é deixar almoço pronto. O parágrafo anterior a este era sobre isto e eu desviei do assunto. Ela deixa arroz, feijão, purê de batatas e carne. Uma delícia. Eu como tudo direitinho. Quando volto para largar o prato na pia, descubro que também tinha salada. E sinto que, se mamãe chegar em casa e ver que a salada (alface e tomate!) estiverem intocados, se ela perceber que eu ignorei completamente uma parte insignificante (a salada!) de seus mimos, então a cicatriz ressurgirá, a camisa manchará de sangue e toda a minha apunhalada poderá vir à tona novamente.

Hoje eu comi a salada depois do prato quente. Isto é uma grande inversão de valores. (Inclusive no que tange a evitar apunhalá-la novamente)




Nada Profissional

não contém glútem

Blowg

não contém glútem

I misbehave

não contém glútem

Vida e Obra de Daniell Rezende

"Thou shalt not bore." - Billy Wilder

tantos clichês

não contém glútem