Lixomania


Nunca fui à Europa
julho 29, 2010, 1:09 pm
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Não lembro bem quando na minha vida eu entendi o que era a Europa. Quando entendi que era mais que o nome de um filtro de água. Pode ter sido aos 9 anos de idade, quando entrei na terceira série e fui estudar na Escola de Habitos e Tradiões Nazistas. Quando você está em um ambiente nazista, precisa saber onde fica a Alemanha. E para isto, pode ser importante saber onde fica a Europa. Para que você possa identificar bem quais são os países do eixo e o que eles querem mudar no mundo. Mas pode ter sido antes mesmo, sempre tive uma dificuldade de precisar em que idade aconteceu o que na minha vida.

Acho que foi revelador descobrir que existia alguma coisa chamada primeiro mundo além dos Estados Unidos. Eu achava que os Estados Unidos eram tudo. Eles fabricavam computadores, mandavam foguetes para o espaço e não só inventaram os Comandos em Ação como faziam uns muito melhores que os que tínhamos aqui. Tão melhores que lá eles não tinham esse nome barango: eram G.I. Joes. O que a França tinha feito por mim até então? Não existia como trocar G.I. Joe por um crepe. O máximo do capitalismo e da tecnologia, o mundo contemporâneo, girava sobre os Estados Unidos. Era sobre eles que meus amiguinhos falavam, era lá que eles passavam férias e eu os invejava um bocado. Mais especificamente iam para a Disney. Naqueles tempos, se você colocasse bombril no receptor de UHF da sua TV, você podia assistir à MTV Brasil. Mas se trocasse o bombril por orelhas do Mickey, aí você assistiria ao mundo.

Então me explicaram aquelas coisas. Que existiam uns outros lugares ricos no mundo. O berço da civilização ocidental e bla bla bla. Comecei a aprender a falar alemão e descobri que existiam coisas no mundo que eu nem sonhava. Como Nutella. E, principalmente, como Lego. E viva a Dinamarca, que inventou o Lego e o Lars Ulrich. Em oposição aos nossos bonecos feito de sabugo de milho e ao baterista de apoio do Roberto Carlos.

Quer dizer, pra mim era um choque quando as pessoas falavam que existiam estes lugares onde as pessoas não passavam fome. Na minha cabeça, eu extrapolava tudo. Pensava em coisas como que na Europa as coisas eram tão avançadas que era um continente asséptico: não existiam doenças, sujeira, gente ruim e quaisquer problemas. Tudo de ruim havia sido erradicado. As pessoas eram educadas e civilizadas. Não idéias idiotas ou de mal gosto, eram proibidas por lei. Não havia guerras, não havia palavrões, não havia idéias idiotas. Inclusive o lixo tinha sido erradicado porque as latas de lixo eram robotizadas e, quando estavam cheias, ligavam seus foguetes para se lançarem no espaço para sempre. Eu achava que se você andasse descalço, seu pé não ficava preto de sujeira. A casa da vovó Elza jamais teria acontecido na Europa porque, se assim fosse, eu não voltaria das minhas férias, todos os anos, com bicho de pé.

Claro que não demorou para eu entender que primeiro mundo não é uma coisa perfeita. Que nem os Estados Unidos eram um lugar perfeito. Isto só fazia parte de algumas das coisas estranhas que eu pensava quando era criança. Poderíamos colocar isso tudo aí no mesmo grupo de idéias que me faziam querer ser esquecido trancado dentro de uma loja de brinquedos por uma noite inteira para eu ficar brincando. Ou da minha idéia de que o cara mais rico do mundo era tão rico que não precisava nem caminhar, tinha uma cadeira de rodas elétrica para deslocá-lo. Eu não achava que dinheiro era fruto de se fazer alguma coisa para tê-lo, vejam.

Então eu to saindo de férias e volto no final de Agosto. Vocês que ficam aí, divirtam-se! =)

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Nunca trabalhei no dia do meu aniversário
julho 15, 2010, 1:33 pm
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Mentira: tiveram os famosos 26 para 27 anos de idade. 2006, para ser exato, para sempre lembrado como o ano mais bunda mole que um ser humano poderia ter. Acho que não comi ninguém em 2006. Ou então comi alguém no finalzinho (no comecinho certamente não foi) e esqueci porque achei que uma trepada, ainda que fosse a pior possível, não merecia ser classificada como “aconteceu em 2006”. Eram tempos de pós depressão, pós namoro, e mais pós depressão, porque depressão é o tipo de coisa que vale por dois.

Foi o ano em que fui trabalhar na fábrica de dinheiro. Como todos sabem, eu recebia um dinheiro nada mencionável para colocar números em planilhas e, de vez em quando, colocar planilhas em apresentações de power point. “Os números estão bons, mas ta faltando um pouco de cor aqui”. E aí era verde, azul, amarelo, laranja, roxo e tudo isso pra todo lado. “Olha, ta melhor… mas coloca um pouco mais de vermelho”. E eu fazia tudo vermelho e as pessoas achavam bom. Foi assim por um, por dois e por mais de doze meses. Acho que era vermelho de ódio, desgraça, chacina… eu mesmo devia ter pensado em vermelho desde o começo. No mais, acho que o que é mencionável sobre este trabalho é que, por uns tempos, achei que minha chefe dava mole pra mim, mas nunca tive muita certeza. E tinha a ruivona, minha paixão platônica daquele ano (eu avisei: 2006 era o ano mais bunda mole possível). Eu ficava sentado vendo ela passar de lá pra cá. Depois de cá pra lá. E minha cabeça acompanhava, bolando muitas ereções para ela. Algumas vezes apressei minha saída do trabalho ao ver ela indo embora e corria para o elevador para descer com ela. Puxei papo com ela uma ou duas vezes e, quando estava prestes a tomar qualquer atitude, mesmo ela nem sendo tão bonita, mesmo ela sendo meio grandalhona, mesmo… enfim: quando estava prestes a tomar qualquer atitude, o departamento dela foi mudado para o prédio que ficava do outro lado da cidade. A ruivona foi a melhor coisa vermelha de 2006

Não fiz amigos na fábrica de dinheiro. Acho que eu tava com tanta raiva de ter que aceitar que “a vida é isso aí mesmo” que não me preocupei muito em notar quem estava à minha volta. Tinha só uma menina que me considerava amigo dela, mas não sei muito sobre o contrário. E ela fez a coisa mais elegante que alguém poderia ter feito especificamente naquele aniversário específico e naquele lugar específico. Foi bem específico mesmo: aparentemente NINGUÉM sabia que era meu aniversário. E queria mesmo que ninguém ali soubesse. Se alguém cantasse parabéns em volta da minha baia, acho que pegaria uma motosserra e pintaria todo mundo de vermelho. Esta menina, no entanto, sabia do meu aniversário. Uns dias antes eu vim para ela com uma história de que não gostava de aniversário. No fatídico dia, quando liguei meu computador, tinha um e-mail dela. Algo curto, mais ou menos como: “feliz aniversário. Eu sei que você não gosta muito disso, então vou só te mandar um e-mail”. Como disse, muito elegante. Só não ganhou de quando o Tatá me deu um envelope com R$ 60,00 de presente de natal.

Quanto aos anos que aconteceram antes e depois de 2006, explico que foi uma sequência de sortes e azares. Ou meu aniversário caía em um fim de semana, ou eu estava desempregado. Em 2004, aquele fatídico ano naquele fatídico emprego (com aquela fatídica piranha de chefe), pedi demissão a tempo de passar meu aniversário em casa. Na escola, era sempre período de férias escolares. Hoje em dia, trabalhando no circo, a empresa da o benefício da folga no dia do aniversário.




Nada Profissional

não contém glútem

Blowg

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I misbehave

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Vida e Obra de Daniell Rezende

"Thou shalt not bore." - Billy Wilder

tantos clichês

não contém glútem