Lixomania


Batismo
junho 25, 2010, 5:50 pm
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Uma vez conheci uma certa dona Bernadete. Não sei se da para dizer que eu conheci: foi em 2002, no boom do ICQ, na época em que ter blog era amador e divertido. Aí todas as pessoas se conheciam, mas não pessoalmente, tudo era ICQ naquela vida. Não que eu a tenha conhecido pelo ICQ: a dona Bernadete era minha cliente quando eu trabalhava na Fantástica Fábrica de Planos de Saúde. Eu cito o ICQ para que todos entendam que a moda era todos se conhecerem profundamente da maneira mais impessoal possível. Não havia riscos. Ninguém de carne e osso lia meu blog, eu acho: as pessoas que comentavam nele nada mais eram que algorítmos virtuais, geradores de comentários aleatórios. Dona Bernadete, por sua vez, era um algoritmo gerador de conversas telefônicas.

Quando eu cadastrei dona Bernadete no seu plano de saúde, algo deu errado. Provavelmente fui eu mesmo quem digitei BERNARDETE em algum lugar, cumprindo minha função de analista recém formado: ser um algoritmo gerador de caracteres aleatórios das 09:00 às 18:00. (Em minha defesa, digo que era formado em propaganda, não em engenharia de planos de saúde). Eu vi a carteirinha dela com este erro e achei que era isso mesmo. Lembro que enviei para ela. Uns tempos depois recebi a carteirinha dela de volta e, junto, um e-mail explicando que aquilo soava mal demais para ser um nome real. Acho que se a dona Bernadete tivesse a possibilitade, teria feito da carteirinha um origami de caralho antes de me devolver. Deus abençoe o plástico rígido.

Bernadete!

Difícil entender um nome desses: Bernadete. Eu não consigo levar a sério. Não parece um nome. Parece mais o festival de música jovem na Record nos anos 60. “E agora com vocês, Bernardo e suas Bernadetes”. Nada que você aí, minha querida leitora Bernadete deva se chatear: eu sou alguém que sabe o que é ter um nome que se rima com genital. E “Klein”, bem, significa “pequeno” em alemão. Genital pequena. Eu preferia ter o nome de um conjunto da Jovem Guarda. Mamãe podia ter me batizado: Renato e Seus Blue Caps Klein. Mas mamãe nunca foi mesmo esse tipo de algoritmo gerador de nomes para filhos.



Sudoku
junho 23, 2010, 4:41 pm
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Eu fico pensando na cara que deve ter o japonês que inventou o sudoku. Claro, to assumindo que foi um japonês. Não consigo pensar que quem inventou um negócio desses foi um boliviano erradicado no japão. Ou nem isso, um boliviano que gostava de japoneses e números e inventou um jogo que homenageasse ambos de alguma forma.  Mas aí ta o japonês lá, cansado do video game e resolve fazer algo para tentar resolver o tédio. E coloca números de um a 10. Em várias ordens. Percebe um jeito de organizá-los sem que se repitam na mesma ordem em uma outra linha. E em mais uma linha. E em nove linhas ao todo. E descobre algum tipo de lógica para isso se tirar alguns números do lugar e, quando você ve, esse filho da puta ta ganhando milhões vendendo diferentes versões de 9 fileiras de números de 1 a 9 para jornais e revistinhas coquetel. Além de ser milionário (e filho da puta, como eu já disse), ele está presente em todas as salas de espera de médicos e dentistas, concorrendo com a capa da Sthefany Brito voltando ao Brasil de peruca por ter levado um pé na bunda do marido. Que segundo alguma capa de revista que eu vi por aí, não cansou do video game e que é por isso que eles se separaram. Esse japonês, eu vou falar pra você. Com certeza tinha tempo demais livre. Ninguém ensinou esse cara a fazer sexo. Provavelmente ele sequer sabe bater uma punheta. Nunca deve ter lavado uma louça na vida, só jogou video game mesmo. Ainda assim cansou. E quando isso aconteceu, ficou lá, ordenando números de 1 a 9 em 9 ordens diferentes. Aí, sei lá o que é que o Alexandre Pato vai fazer quando cansar de jogar video game.

Estou estudando alemão. Aí eu passei por uma lição agora que você pergunta para a pessoa “qual é o seu número preferido”. Juro, que alguém acha que isto é uma pergunta que mereça ser articulada por alguém. E que alguém tem um número preferido, o que entendo que é diferente de um número da sorte. É um número pelo qual você é mais apegado que aos outros. Tudo isso em alemão, ainda por cima: não basta ter um número preferido, tem que ser alemão. Aí vai ver que quem inventou o sudoku foi um alemão erradicado no japão que tinha um número preferido entre 1 e 9.



Rumo ao sushi de feijoada
junho 18, 2010, 3:46 pm
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Virou a alegria das minhas folgas: cozinhar e encher a cara. Simultaneamente, eu quis dizer. Então, tá, que eu, filho homem de culinarista, não era capaz de fazer um miojo até algum tempo atrás. Aí junto uns trocados e saio da casa dos meus pais, de baixo da asa da mamãe. Leitinho quentinho com nescau: não me pertence mais. E aí eu resolvo aprender a cozinhar e eu juro que cozinho muito bem. Isso devia ser assunto de terapia brava mas, ei!, eu abandonei a minha terapeuta sem maiores explicações há mais de 3 anos, lembram?

Dizem que cozinhar é bom pra pegar mulher. Sei lá. Eu nunca peguei mulher cozinhando. Eu sou um homem que cozinha e toca guitarra e nunca peguei nenhuma mulher fazendo qualquer uma destas duas coisas. Eu já peguei mulher porque tinha um blog, no entanto, mas eu não sei se existe mérito nisso. Às vezes eu acho que nunca peguei mulher nenhuma, na verdade. Acho que foram elas que me pegaram. De um jeito ou de outro, eu to namorando, né? Não lembro bem como fiz para pegar a minha namorada. Teve muita cerveja, vai ver que isso era mais importante que tocar guitarra ou cozinhar. Talvez eu beba cerveja de um modo muito peculiar, pode ser que haja algo de sedutor na maneira como a cevada invade a minha boca. Meu olhar reluz de outra maneira. As pupilas dilatam, a crista arrepia. Etc. Ou, como eu já disse, não foi nada disso: ela bebeu cerveja e me pegou.

O prato de hoje foi risoto, como vocês devem ter notado. Não ta sobrando méritos nessa brincadeira: eu aprendi a fazer com a Vanessa, que mora comigo. Eu fiz uma vez sob a supervisão dela e hoje fiz sozinho. Fiz igualzinho, claro. Vejam: eu trabalho em uma empresa que prega a idéia de que “quem não tem inteligência para criar, deve ter coragem para copiar”. E eu sou um filisteu. Mas ficou uma delícia, é sério. Eu vou repetir este “é sério” até alguém se convencer. Ou então você considere aí que deve ter ficado uma bosta, mas que, como eu disse, o ritual é cozinhar bebendo cerveja: talvez o álcool tenha anestesiado meu paladar o bastante para fazer tudo parecer uma delícia. O fato de eu ter estraçalhado o peixe na frigideira não deve ofuscar o brilho do sabor. Mesmo o fato de um lado dele ter virado um torrão de carvão e eu ter escondido isto na foto. Também o fato de eu ter colocado manjericão sobre o risoto, no lugar da salsinha, que era o que eu queria para enfeitá-lo no prato, tampouco. Não existe nada de elaborado nisso: o caldo era de galinha com ervas finas. Caldo Knorr: eu não matei a galinha, não colhi as ervas. Não incenerei tudo com um lança-chamas e transformei aquele monte de mato e pena defumada em tablete. Eu sequer embalei o tablete ou pus ele na prateleira: minha parte foi botar no carrinho e pagar, sei lá, R$1,00. Como tudo era uma experiência, usei vinho do Carrefour. Ouvi falar que o Carrefour é francês. Pensei nas vinícolas do Carrefour, no sul da França, anos de experiência na produção de vinhos, tava tudo com a maior pinta de que eu tava mandando bem. Veredito: bom risoto, péssimo vinho.

Pra mim, a coisa mais perturbadora sobre cozinha são as medidas das coisas. Porque eu penso que cozinha é química (com algo de física e algo de matemática). Ou seja, é uma ciência EXATA. Aí você pega uma receita e lá diz “adicione uma pitada de sal”. E eu fico penso: MAS QUANTAS GRAMAS DE SAL É UMA PITADA? Isto não foi registrado sob os padrões internacionais da Academia de Ciências da França, sabe?



O que tenho pensado sobre Dilma Rousseff
junho 13, 2010, 4:57 pm
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Não sei se é machismo. Vai ter alguém pra dizer que é.  Sei que não existem muitas super heroínas famosas. Pra mim, no top of mind, tem a mulher maravilha. Em segundo lugar, empatadas, estão todas as gostosonas de X-Men, e aí eu não sei quem vem depois disso. Mas o que eu acho machismo mesmo é que nenhuma delas tem uma capa, como todo super herói decente parece ter. Decente? De repente não: mulheres tem senso estético, de repente elas não usam capa porque está fora de moda. Todos sabemos que a testosterona bloqueia um pouco isso na mente de uma pessoa: o conceito de moda. Sei que não consigo pensar em um exemplo de super heroína que usa cueca por cima das calças e isto me parece algo que não está na moda. Ou não está na moda, ou é porque heroínas são meninas e não usam cuecas. Existe a terceira opção: elas podem estar usando cuecas por de baixo de suas calças, shortinhos ou o que for. Não vou entrar no mérito porque é outra coisa que eu não sei se seria machismo

Eu acho estranho que a Mulher Maravilha, a super heroína número um do mundo (eu sei que isso é coisa do mundo todo porque toda vez que uma menina se fantasia de heroína, essa heroína é a Mulher Maravilha… até alguns homens já devem ter se vestido de Mulher Maravilha), também não voe. As gostosonas do X-Men voam. Eu gosto de pensar nisso: gostosonas entram voando pela janela do meu quarto. Depois de salvar o mundo: gostosonas SUADAS entram voando pela janela do meu quarto. A Mulher Maravilha, tadinha, não pode fazer isso. Mas ela tem o tal jato invisível. E que merda um jato invisivel, né? As pessoas adoram aquela piadinha: se o jato da Mulher Maravilha é invisível, como é que ela sabe onde ele está quando precisa dele? Eu nem acho esta a pior das considerações. A que eu pensei mesmo é a que, quando ela está voando para salvar o mundo no seu jato invisível, um cidadão ordinário comum que a visse passar pelo seu caminho veria uma cena ridícula: uma mulher suspensa no ar na posição de quem está sentada, em movimento e sem mais nada em volta. Eu fico tentando imaginar essa cena. Não acho que existe dignidade em ir salvar o mundo assim, melhor pegar um taxi.



As cartas para o meu amor – uma ode ao ciúme
junho 7, 2010, 10:41 am
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Em 03/06:

“Adorei as suas fotos. É bom te ver, ver que você ta passeando por aí e conhecendo um monte de cartões postais. É legal ver a sua carinha, mas ainda gosto mais é de vê-la pessoalmente. Você disse que estava emagrecendo rapidamente, mas não parece. Pelo menos julgando pelo seu rosto (não da pra ter noção do resto pelas fotos: você está com jaqueta e vestidinho folgado), ele parece do mesmo jeito que eu vi pela última vez. Linda do mesmo jeito. E você parece feliz nas fotos, o que eu chamo de uma boa notícia. No mais, tudo o que eu digo, é que se você se engraçar para cima desse seu tal amigo mexicano que você fez e que bateu suas fotos, esteja pronta para o quando eu te reencontrar: EU ESTAREI BIGODE! (Mas mexicanos têm aquelas máscaras de luta livre mexicana que são incrivelmente bacanas… se eu perder o seu amor para ele porque ele te deu uma dessas de presente, eu vou entender, é algo que supera qualquer doce de leite uruguaio ou argentino que eu poderia te dar).”

Em 07/06:

“Estes dias de trabalho tem sido definitivamente mais tranquilos que o anterior. A chefe desta equipe é mais tranquila. O cara que está trabalhando mais diretamente comigo não é tão legal quanto o anterior, mas é gente fina. A chefe, além de mais tranquila é muito bonita. Muito mesmo. Acho que uma das chefes mais bonitas que eu já vi. Usa um penteado que eu não sei explicar, cabelo curto, muito cacheado, mas com uma espécie de franja lisa, de lado. O rosto dela é fino, tem um nariz nada convencional, mas que acho que fica bem no layout, e uns olhos castanhos bem grandes. E você não sabe do que mais: ela tem intolerância a lactose! Eu sei que você só agora você ficou com ciumes, mas te conto para não se preocupar: a única barriga que eu quero ver inchada, pesada, com dores e desconforto, vitimada pela minha culinária baseada em creme de leite, é a sua.”




Nada Profissional

não contém glútem

Blowg

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I misbehave

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Vida e Obra de Daniell Rezende

"Thou shalt not bore." - Billy Wilder

tantos clichês

não contém glútem