Lixomania


The Sims
fevereiro 23, 2010, 10:55 am
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Eu cheguei na Fast Shop e perguntei quanto custava aquela máquina de lavar roupa super bonitona. Cara, se eu conto pra vocês como ela é bonitona. A porta não parece uma porta, parece uma escotilha com a janelinha e tudo mais. Aí você tem aquela escotilha praquele cubinho apertado cheio de botões e luzes que piscam e pensa que é o modo lunar. Não to preocupado em lavar roupas, de verdade: o que eu quero é uma máquina para pousar na lua. Aquele tal de Armstrong colocou uma bandeira dos Estados Unidos quando pousou com a máquina de lavar dele na lua. Eu não colocaria uma bandeira do Brasil. Eu colocaria um poster da Penelope Cruz, acho. Penso que é uma coisa que representa a humanidade como um todo, e não apenas uma nação. De repente um ET pousa lá com a máquina de lavar dele, ve a bandeira dos EUA e pensa que dentro daquela bolota azul ali todo mundo pensa que hamburguer é churrasco. Não é assim que eu quero ser percebido pelo resto da galaxia. Já Penelope Cruz eu entendo que é um conceito universal e inquestionável.

Aí o moço da Fast Shop disse que a máquina de lavar, secar, passar café e pousar na lua custava “vinte mil cruzeiros novos”. Fiquei puto da cara, né? “Aaaaaaahhhhhh não!”, gritei com todos H’s. Porque na internet custava 10.000 cruzeiros novos a menos. O cara me disse que mudou de setor recentemente e que não sabia muito bem sobre essa tal de internet. De repente ele ainda trabalhava no setor de mimeógrafos, sei lá. Me levou até o computador e abriu o site. Fez aquela cara muito peculiar de “custa dez mil cruzeiros novos a menos mesmo” que as pessoas fazem nesta hora. Eu sei desta cara: também trabalho atendendo pessoas e ensaio minha expressão de “custa dez mil cruzeiros novos a menos mesmo” em frente ao espelho todos os dias. Ele se comprometeu a cubrir a oferta e eu disse que não. Porque eu queria comprar mais coisas e, aí, ele ia fazer cara de “dez mil cruzeiros a mais” para as outras coisas. Falei que voltava mais tarde com todos os preços num papelzinho.

Eu voltei mais tarde. Acompanhado de meu irmão e de um papelzinho que anotava o valor do módulo lunar e o de um forno de microondas. Porque não se pode chegar à lua sem comer pipoca no caminho. Mas antes de ir à Fast Shop, aquela socialização com meu irmão. Aparentemente ele queria me contar sobre o roteiro que ele bolou para um filme. Algo sobre o Papai Noel ir para o inferno e ser salvo pelo Kiss que, depois de empatar jogando par ou ímpar com o diabo, conseguiu enganar o estagiário deste e levar o Papai Noel embora. Enfim: muitos canecos de chopp e uma porção marota de lula. Com molho bacana. E eu de camiseta branca, vocês sabem o que acontece com camisetas e molhos. Magnetismo, uma coisa atrai a outra, ying e yang, Brad Pitt e Angelina Jolie, Chitãozinho e Xororó, este tipo de força. Eu chego à Fast Shop e digo para o rapaz:

– Cara, voltei pra pegar a máquina de lavar… olha a minha camiseta, ta vendo como eu preciso dela?


Ele olhou para mim e fez “cara de dez mil cruzeiros a menos”

No fim das contas o cara fez um desconto bacana pra mim. Cobriu o preço do site e disse que era isso aí. Eu disse que era pouco. Exaltei as qualidades profissionais dele. Que qualidades? Sei lá, não conheço o cara, mas eu exaltei. Deixei ele me contar que era mormom e que morava sozinho. Que queria fazer faculdade de jornalismo e que aquele emprego era um quebra galho. Falei pra ele experimentar vender carros porque aquilo da mais dinheiro que Fast Shop. Que carros custam, em média, dez mil cruzeiros novos a mais. Na saída parabenizei ele pelo atendimento e desejei sorte. Meu irmão me repreendeu dizendo que eu sou puxa saco de vendedor.

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Macauley Culkin
fevereiro 11, 2010, 8:55 am
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Já tentei alegar todos os motivos clássicos. Necessidade de crescer, se desprender das asas da mãe, aprender sobre responsabilidade, vida adulta, ter 30 anos de idade e precisar parar de viver como um adolescente. Sem contar o maior clássico de todos: montar seu próprio salão de festas com quarto de motel privado. Acho que o melhor motivo ainda é: necessidade de controlar pessoalmente meias e cuecas.

O processo todo: usar, colocar no cesto, lavar, por pra secar, dobrar, colocar na gaveta, usar até borrar ou encher de micose, colocar no cesto e assim por diante.

Veja, mamãe não deixa eu fazer isto. O processo todo. Revolução industrial, a alienação do trabalho se aplica: eu faço a parte de usar até borrar ou encher de micose e colocar no cesto. Tenho licença para usar o chão do quarto como cesto, mas achei que poderia pelo menos nisto tomar parte, então não faço. Não consigo conhecer todas as pontas do processo, estou proibido pela mamãe que é maluca e controladora. A mais maluca e controladora de todas. Mas Klein, eu também sou um sem vergonha que mora com a mamãe e ela não me deixa controlar minhas roupas, ela é maluca e controladora que nem a sua, por que você acha que a sua é mais? Fácil: porque ela é a minha mãe, não a sua e isso faz dela a mãe mais maluca e controladora que pode habitar este blog.

Não é pela mordomia em si. Eu gosto de mordomia, eu assumo o papel de joinha da mamãe quando é conveniente. Mas cuecas e meias tem este problema: se você não for extremamente meticuloso, eles somem. Meias tem esta propriedade irritante de funcionar aos pares. Então eu uso o par e ele vai para o cesto. Quando ele volta não constitui mais um par e aí, naquele dia em que você finalmente conseguiu convencer alguém como, sei lá, a rainha do pompoarismo a sair com você, você descobre que tudo o que você tem é um pé de meia de lã verde e um outro de uma meia preta social. Não da pra sair assim. Sair com uma mulher com um pé verde e o outro preto é o jeito mais fácil de fazê-la perceber o Fasano como se estivesse no Habib’s.

Cuecas são o mais triste. Porque você tem a cueca bonita, reluzente e que faz seu pau parecer enorme e aquela cueca que já ta sendo requentada em microondas pelas traças. E esta última funciona para aqueles dias em que você sabe que não vai tirar as calças por nada. Como quando você é convidado para a circuncisão de uma criança judia. Exceto quando você é a criança judia, mas isto não vem ao caso. Então você usa as cuecas boas de fazer seu pau parecer enorme em algum dia e depois ela vai para o cesto. Some misteriosamente por muito tempo e um dia você lembra dela, sai à busca. Não é na cidade submarina de Atlântida que você vai encontrar, mas sim num lugar muito mais insólito: no armário do seu pai. Seu pai, aquele que deve usar cuecas uns 3 números maiores que o seu mas que, ainda assim, acha um jeito de usar aquelas cuecas. Tornando-as impraticáveis. É a interdição da cueca: jogue-a em uma área remota e coloque um cordão de isolamento em volta. Chamem a polícia! Chamem o CSI Carapicuíba! Chamem a inquisição espanhola! Vejam, cuecas são bens inalienáveis, não se empresta uma cueca. Você até doa uma cueca, mas não empresta. Você não pode relacionar cuecas em documentos de fiança para imóveis e existe um bom motivo para isto.

Então, entendam, não é uma questão de amadurecimento para a vida. É uma mera questão de controle sobre o guarda roupas. Mais nada. Ponto final.

Estou proibindo piadinhas sobre meu pai usando minhas cuecas para guardar o lugar de onde eu vim. Escatologia tem limites, ok?



Metal cu acima!
fevereiro 2, 2010, 1:39 pm
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Metal? Acho que mudou muito o público de metal. Eu mudei: não tenho mais cabelo comprido, não pareço uma menina, as pessoas não sentem pavor ao me ver, uso roupas limpas, tenho um emprego de bem e cumpro com minhas obrigações cívicas. Isto não era necessário em 1994, por exemplo, quando se ia à galeria do rock e tinha aquela corja de metaleiros podres espalhados pelo chão. Não existiam emos. Não existia aquele subsolo cultura black. As pessoas gostam de falar que metaleiro se veste de preto mas, Nos anos 80 e 90, não era bem isso o que se via: eles se vestiam de cinza. Porque metaleiro era pobre e fedido e a camiseta preta de banda não aguentava muito essa coisa de país tropical: em uma semana ela estava desbotada, cinza. E aí esta sempre será a minha referência de metaleiro. Não é o que eu vi em dois dias de show do Metallica.

Talvez seja uma fase de transição estética: antigamente, no metal, era feio ser bonito. Hoje em dia ta mais pra ideologia do “é bonito ser feio”. A estética é a da sujeira e da podridão. Estilo rato com pelo encravado. Mas é um rato bonitinho. Hoje o metal é totalmente Mickey Mouse. Então to eu lá no Habib’s das proximidades do estádio do Morumbi, comendo uma esfiha bem metal mesmo, e vejo essa menina metaleira-tosca-porém-produtora-de-ereções. Assim, muito ajeitada mesmo, gostosa, bonita. Não dava pra passear de mãos dadas no shopping… talvez pra passear de mãos dadas na galeria do rock mesmo. E eu penso que é porque o Metallica é o mais perto do pop que o metal consegue chegar hoje, mas lembro que no show do Carcass também tinham essas meninas. (Vejam, não estou falando de uma banda conhecida, estou falando do tipo de banda que lançou discos com capas como esta). Onde estavam elas durante os anos 80 e 90? Provavelmente dividida entre nadar em esperma e se segurar num ovário, mas assim: naquela época é que eu era cabeludo e adolescente, com testosterona vazando pelos ouvidos.

E hoje em dia?

Hoje em dia eu sou um cara que não tinha nenhuma camiseta preta disponível no armário para ir a um show de metal. Vejam, eu não queria uma camiseta de banda, só queria uma camiseta preta. Não queria ser metaleiro, queria mimetizar com o público. Me sentir inserido socialmente, mesmo que temporariamente. Porque, né? Eu não sou bem um metaleiro. Eu sou alguém que gosta muito de metal, não um metaleiro. Eu sou uma pessoa que usa palavras como mimetizar e isto não é muito metal. Então eu to no Habib’s olhando o quanto as metaleiras se tornaram pegáveis, comíveis e equipadas de aparelhos reprodutores passíveis de gerar diversão e me dou conta de que estou com uma camiseta branca com uma ilustração engraçadalha pra cadinho. Foi quando achei que, em um estádio com 65 mil cabeças de gado, eu sentiria a maior solidão do mundo.

Sentiria?

Saí andando desolado para o estádio. Imaginando que a banda pediria um minuto de atenção, pediria para focalizarem a luz em mim e gentilmente convidaria todos a rirem da minha cara. O rei está nu, etc. Mas ainda no meio deste caminho foi que eu vi o conforto que precisava: alguém ali parado usava uma camiseta que estampava o Gorpo, o aleijado voador do He-Man que queria ser David Copperfield. Eu estava a salvo: mudou muito mesmo o público de metal.

Gostaria de mandar aproveitar o momento pra mandar aquele abraço para a Alê que comprou meu ingresso para o primeiro dia do show. E aquele abraço também para o Imperador e para a Beijo Me Liga, companhias do segundo dia de show, quando eu estava com outra camiseta branca nada a ver.




Nada Profissional

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Blowg

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I misbehave

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Vida e Obra de Daniell Rezende

"Thou shalt not bore." - Billy Wilder

tantos clichês

não contém glútem