Lixomania


Fofucho
janeiro 17, 2010, 2:27 pm
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O caso é que se você diz que alguém é fofo, você vai logo pensar em um ursinho de pelúcia. Então chamar alguém de fofo é algo muito gay. Não gay no sentido de gostar de homens. Porque eu nunca soube de um urso que comeu um homem. Naquele sentido menos literal. Ou de uma ursa que comeu uma mulher. No mesmo sentido menos literal. E quando eu falo de urso, to falando no sentido menos literal também. To falando que é gay no sentido frufrulento da coisa mesmo.

E isso é muito desmoralizante. Nós homens somos assim, machões, conquistadores e destruidores. Queremos dominar territórios, queremos subjugar nações. A gente come carcaça de animais podres no almoço e prego enferrujado no jantar. E a culpa disto é a tal da testosterona. Porque um dia a gente tava lá, andando de bicicleta, brincando de carrinho e assistindo Bob Esponja. De repente aparecem 3 fios de penujem, o tal do buço. E a partir daí, muda toda a sua perspectiva sobre a vida. Você finalmente entende como é que Alexandre o Grande foi mais importante que é o Bob Esponja.

Seu esforço nesta vida passa a ser o de ser percebido como uma caveira de caninos afiados com capacete nazista. Todo mundo queria ser convidado para estrelar a capa de um disco do Motorhead. Nenhum homem quer ser fofo.

Entenderam por que isto é desmoralizante?



Fala outra coisa de mim. Fala que eu tenho uma pica enorme, praticamente um roto rooter, o tatuzão do metrô, sei lá. Essa é uma boa fama.



Amigo secreto
janeiro 11, 2010, 2:05 pm
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Festa de fim de ano? Eu gosto. Tem gente que não gosta. “Natal passado a tia Berta enfiou o osso da coxa do peru no meu nariz porque eu tirei fotos da minha prima tomando banho e pus na internet. Ainda por cima a maionese estava estragada”. Minha família tem as suas questões, mas não chega nesse nível. Inclusive porque a gente não é o tipo de gente que faz maionese. Nem em outras datas. Vai ver que eu tenho sorte, acho que eu tenho sim.

O fim do ano passou a ser mais agradável quando eu arrumei esse emprego que, não vem ao caso explicar porque, mas que não se pratica o tal do amigo secreto. Definitivamente a brincadeira mais sem graça do mundo. Primeiro você compra presente para aquela que você não tem a mínima idéia do que é ou gosta. Tanto faz se ela é da Congregação do Orgulho Virgem ou se é pedófilo: você compra um vale presente fuleiro ou uma camisa polo que não provoca ereções em ninguém e entrega falando o famoso “espero que você goste”. “Espero que você goste” é um belo sinônimo para “me livrei da bucha”. E é triste como tem que ser um presente, não sei por que as pessoas não dão, sei lá, envelopes com R$ 60,00 dentro. É sem erro, todo mundo precisa. Eu não saberia o que dar de presente para, por exemplo, minha própria irmã. Pior é antes de entregar o presente, o discurso. Você tem que inventar algo engraçadinho para dizer e que contenha algum suspense. Afinal, estamos vivendo a era do stand up comedy, não é mesmo? Mas criatividade não é um dom dos mais populares. E até para quem tem o dom, isso não é bacana: você não é criativo sobre algo estupidamente previsível. E então se atira nos recursos falso criativos, aqueles que todo mundo finge que é novo e divertido, mas que é o que todo mundo fala. “Meu amigo secreto tem dois olhos” e a platéia responde: “Hahahahahaha”. E macacos na selva ouvem isto e desistem de se reproduzir: o mundo é um lugar cruel. Tudo começou com aquela tal piranha mordendo uma maçã. Depois começamos a matar nossos irmãos por dinheiro e, antes que pudéssemos perceber o que estava acontecendo, inventaram o amigo secreto de fim de ano. Fico pensando no que Goebbels teria dado para Hitler no amigo secreto de 1944 da patota da SS. Talvez um envelope com uns R$ 60,00.

Com o fim de conter gastos, minha família decidiu que, depois de dois anos, eu não poderia mais me gabar de escapar desta doença e organizou um amigo secreto. Claro que eu vi o lado bom: eu gosto de dinheiro. Gosto de guardar dinheiro. Gosto de forrar meu colchão de dinheiro e rosnar alto quando alguém tenta entrar no meu quarto. Não sei se gosto mais que odeio amigo secreto, só estou contando para vocês que existe um lado bom. E aí eu tive que entrar nesta. Não estava em casa no dia do sorteio. Fizeram o sorteio e jogaram o papel misterioso com o nome de algum parente (ou alguém da família do meu cunhado, ou seja, ainda tinham parentes de consideração ali) sobre a minha mesa para que eu visse quando chegasse. Não havia papel nenhum. “Mãe, e agora?”. O que ela responde com “não tem problema, eu vi: você tirou a sua irmã… aliás, o Tatá tirou você e perguntou o que você quer ganhar”.

Sempre lembro de quando trabalhei no banco. A gente assinava um tal de acordo de confidencialidade. Agora entendi por que, naquele caso, era necessário um contrato formal.

Fiquei amargando o que dar de presente para a minha irmã. Por dias. Resolvi pedir ajuda de uma amiga e comprei um kit mulherzinha com uma parte do dinheiro e guardar o resto para mandar rezar uma missa em minha própria homenagem. Na hora do sorteio minha irmã apareceu com uma outra roupa, então eu achei que este era meu texto engraçadinho e simpático: “minha amiga secreta é a única pessoa que que trocou de roupa esta noite”.

Silêncio constrangedor.

“Ah gente, é a minha irmã, pô!”. Mas ela não trocou de roupa, alguém disse bem baixinho no meio da multidão… a desgraçada colocou uma porra de chapéu de papai noel e eu pus aquela cara de merda porque tudo o que eu planejei deu errado na tentativa de fazer aquele momento de sofrimento intenso parecer menos intenso. Não me condene aí: eu sou homem. Uma das propriedades da testosterona é não assimilar trocas de roupas, cortes de cabelo ou perfumes novos. Pelas leis da testosterona, a única coisa que a gente percebe com segurança é cirurgia de colocação de silicone.

Deu tudo errado! … tudo?

O Tatá, depois de dizer que o amigo secreto dele era alguém que estava “sempre passarinhando por aí”, como ele sempre gostou de falar, eu pus a minha máscara de surpresa e alegria e fui dar o meu ensaiado à exaustão abracinho de recebimento de presentes. E ele me entrega o meu presente, quando eu sinto a maior pena dele por ter lembrado que deveria ter dito à minha mãe o que eu queria ganhar. Nunca cheguei a dizer. Eu nunca quero ganhar presente, não acho importante. Eu gosto, mas não acho importante. Eu nunca quero nada. E o Tatá, deixa eu explicar, ele se dói mesmo por estas coisas… não cabe aqui explicar quem é o Tatá, só meus leitores mais antigos vão entender mais ou menos. Só quem o conheceu pessoalmente sabe que estamos falando do maior coração do mundo. Então eu sei que ele se doeu muito para encontrar algo… foi nisso que pensei nos poucos segundos entre o fim do abraço e o presente sendo propriamente entregue.

O presente do Tatá era branco. E tinha duas dimensões. Bem, tudo no mundo tem 3 dimensões, mas vocês entenderam. Era algo de abrir. Um envelope. Que continha R$ 60,00. Goebbles velho de guerra: pode-se contar com você até dentro de um bunker em chamas.




Nada Profissional

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Blowg

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I misbehave

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Vida e Obra de Daniell Rezende

"Thou shalt not bore." - Billy Wilder

tantos clichês

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