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O que eu explicava à miss Francis é que de vez em quando a gente ve piadas em filmes, seriados e afins sobre gente que não sabe segurar um bebê. Eu lembro especificamente de uma cena de Friends em que a Rachel segurava o Ben como quem tem um cachorro leproso nas mãos e a piada era toda sobre ela não saber pegar uma criança no colo. Tudo isto para explicar que não tenho na minha memória a cena de um bebê no meu colo. Eu tenho medo de segurar bebês. Tenho medo de ser o motivo da piada, tenho medo de alguém querer me explicar que aquilo não é um tijolo, tenho medo de deixá-lo cair e quebrar o tijolo ou do bebê repentinamente aprender a falar debutar no mundo da comunicação com “ei! eu não sou um cachorro leproso!”
E quando tivermos nossos filhos?, perguntaria miss Francis, naturalmente.
Bom, eu teria que praticar. Expliquei a ela que ela teria que me deixar sozinho com o bebê. Uma semana, eu acho. Daria uma viagem para miss Francis, para bem longe. Para Dubai, se eu tiver dinheiro. Para Águas de Lindóia, se o mundo continuar seguindo sua ordem natural. Depois ligaria para o trabalho com alguma desculpa para passar a semana em casa. Alguma das boas, do tipo “meu cachorro está com lepra”. Colocaria o berço em frente a um espelho com o bebê, eu atrás disso tudo. E começaria o exercício: pega bebê, devolve bebê, pega bebê, devolve bebê. 3 séries de 20, come uma banana. Pega bebê, devolve bebê. Etc. Tudo em nome da dignidade e da paternidade.
6 Comentários até o momento
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Então. Se boneca fosse um brinquedo unissex, como deveria, você não ia passar por isso. Nós, meninas, já chegamos à vida adulta com pelo menos uns 10 anos desse treino aí.
Comentário por Ju Sampaio maio 18, 2011 @ 1:23 pmSabe, acho que vou fazer um post resposta ao seu comentário. No mais, é sempre duro receber críticas de uma mãe profissional.
Comentário por Klein maio 18, 2011 @ 1:30 pmNão é uma crítica, não. É só uma constatação mesmo. Mesma coisa acontece ao inverso: reclamam que mulheres não sabem dirigir, não têm noção de manobra, mas experimenta dar um carrinho pra uma menina pra vc ver como a sociedade ainda se choca. Triste.
Comentário por Ju Sampaio maio 18, 2011 @ 4:54 pmBoa parte das minhas brincadeiras de carrinho envolviam acidentes espetaculares, com capotagens e explosões de cinema. Eu fico feliz então que esta seja uma brincadeira que nunca tenha se tornado realidade. (Ah, claro que eu sei que você não está me criticando… mas eu não ia perder a chance de fazer um draminha, você sabe!)
Comentário por Klein maio 19, 2011 @ 12:30 amDescobri só no ano passado, e por causa de um livro nada a ver, que até aquele momento eu segurava bebês de maneira errada.
Isso é que dá – minha mãe não me dava Barbies, eu quase não gostava de bonecas e tinha coleção de carrinhos. Atualmente não sei dirigir, bati carro, atropelei meu instrutor das aulas de moto e segurei bebê de maneira errada até ano passado. Não tem como ser mais #FAIL que eu, Gato.
Comentário por Chu maio 18, 2011 @ 6:22 pmUma vez eu bati com uma mini moto na parede dos fundos de uma garagem. Tava vindo de longe e em linha reta. Tinha todo o tempo do mundo para pará-la e não o fiz. Não sei bem por que, foi meio como um pássaro que não viu que tinha um vidro no caminho. Eu não to tão longe de você não, Gata.
Comentário por Klein maio 19, 2011 @ 12:32 am